Também modelo, ela integra o movimento que promove aceitação a todos os tipos de corpos. ‘Os brasileiros têm menos questões com seus corpos. Lá, a nudez não é um problema. Você vai à praia e vê todo tipo de gente com trajes de banho pequenos’, diz. A atriz e modelo americana Barbie Ferreira, que está na série ‘Euphoria’ e é filha de mãe brasileira
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A modelo e atriz americana Barbie Ferreira, filha de uma imigrante brasileira, é uma das estrelas de “Euphoria”, popular série da HBO.
Barbie, que tem 22 anos, nasceu nos Estados Unidos e foi criada em Nova Jersey, diz que sempre sonhou com a carreira artística, mas imaginava ter de enfrentar um problema.
“Quando era pequena sonhava em atuar, mas pensava que teria que perder muitíssimo peso ou ninguém me levaria a sério”, lembrou Barbie em entrevista à agência EFE, enquanto comemorava em Miami a decisão do canal de renovar a série para uma segunda temporada.
“Eu temia que, se conseguisse, sempre ficaria com os papéis da melhor amiga engraçada [da protagonista], que é gordinha e feia”, declarou.
Sua personagem em “Euphoria”, na qual trabalha com a cantora e atriz Zendaya, está longe do estereótipo do papel reservado a as atrizes fora do arquétipo de beleza de Hollywood: Kat Fernández é uma jovem com inseguranças sobre seu corpo e seu peso que vai encontrando seu poder através de internet.
“Me inspirei, para interpretá-la, na minha adolescência. Como todo mundo, tinha muitas inseguranças”, destacou. Mesmo assim, o único conselho que daria a si mesma nessa época é simples: ‘Se cuide’.”
“Há muitas poucas coisas que alguém de 16 anos pode aprender dos demais sem ter de vivê-las”, refletiu. “O mais importante é que faça o que necessite para aprender a gostar de si mesmo, mas sempre protegendo-se de algo irreversível.”
“Eu cresci em uma casa brasileira onde só havia mulheres. Zero energia masculina”, afirmou a jovem, que viveu até o ano passado, quando se mudou para Los Angeles, com sua mãe e sua avó em Nova Jersey.
“Minha mãe é uma mulher que ama a si mesma, diz que é bonita, que é extrovertida e não tem problemas em dizer o que pensa”, elogiou. “Os brasileiros têm menos questões com seus corpos. Lá, a nudez não é um problema. Você vai à praia e vê todo tipo de gente com trajes de banho pequenos”.
Ao crescer, Barbie se deu conta que a mulher na sociedade americana recebe mensagens muito diferentes.
“Nos dizem que temos que ser tranquilas, caladas, mesuradas”, disse, destacando que é algo que se chocava com o que tinham lhe ensinado e decidiu que, qualquer que fosse seu caminho, “tentaria combinar o melhor dos dois mundos”.
Aceitação a todos os tipos de corpos
Cena da série ‘Euphoria’, que tem no elenco a atriz Barbie Ferreira (a terceira a partir da esquerda), filha de mãe brasileira
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“Euphoria” é o terceiro projeto como atriz de Barbie Ferreira, que, como Kat, deu seus primeiros passos na internet. Aos 13 anos, começou a publicar vídeos dela mesma no Tumblr e, cinco anos depois, chamou atenção de uma marca de roupa para a qual trabalhava em uma de suas lojas.
A empresa a contratou como modelo da sua linha de lingerie, e suas imagens sem retoques se tornaram virais. O sucesso da campanha a colocou na lista de cem adolescentes mais influentes de 2016 da revista “Time”, na qual foi reconhecida por seus esforços no movimento que promove a aceitação e o amor a todos os tipos de corpos.
Ferreira, que se recusa a ser definida como uma ativista e não aceitou propostas de marcas que se focam em mulheres gordas, lançou ainda uma série de vídeos com a revista “Vice”.
Com o nome de “How to behave” (“Como se comportar”), Ferreira dá conselhos a meninas sobre como comportar-se consigo mesmas em temas como maquiagem, moda, sexo, relações com a família e pessoas tóxicas.
O sucesso de “Euphoria” a deixa emocionada: “É incrível estar em um projeto no qual os adolescentes não caem dentro dos típicos arquétipos. Todos são complexos, com problemas reais e atuais”, disse.
Nesse sentido, destacou inclusive que a série lhe serve como uma espécie de terapia, para revisar questões da sua adolescência nas quais não gosta de pensar, “mas que são importantes”.

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