Anitta, Ferrugem, Jão, Léo Santana e Simone & Simaria figuram no disco da funkeira fluminense. Soa como anticlímax o lançamento do terceiro álbum de estúdio de Ludmilla, Hello mundo, neste mês de agosto. Afinal, todas as dez músicas já são conhecidas.
Nove foram apresentadas na versão ao vivo do disco, posta em rotação em 31 de maio com a gravação do show captado em fevereiro em arena da cidade do Rio de Janeiro (RJ).
A décima faixa do disco, Espelho (Toninho Aguiar, Umberto Tavares e Jefferson Junior, 2016), foi lançada há três anos no segundo álbum da cantora e compositora fluminense, A danada sou eu (2016), e está sendo rebobinada na versão de estúdio de Hello mundo por ação marqueteira da gravadora Warner Music. R&B de cepa pop, Espelho reflete neste ano de 2019 como declaração do amor já assumido de Ludmilla pela namorada, Brunna.
Capa da versão de estúdio do álbum ‘Hello mundo’, de Ludmilla
Divulgação
Em cena desde 2012, mas projetada nacionalmente somente a partir de 2014, Ludmilla se impôs pela personalidade forte ao longo desses cinco anos de carreira fonográfica.
Lançada pela Warner no rastro do sucesso de Anitta, a funkeira pop atualmente mobiliza milhões de seguidores em redes sociais e, no Brasil, brilha tanto quanto a colega pioneira, a ponto de se irmanar com Anitta na ágil cadência de 150 BPM que eletriza o funk Favela chegou (André Vieira, Wallace Vianna, Pedro Breder e Tállia), música que abre o disco e que sobressai no repertório com exaltação ao universo do funk.
Ludmilla se comunica com esse mundo dos bailes e das comunidades, mas com a linguagem pop do mercado para atrair público de todas as classes e ir além desse universo. O que explica as letras diretas, de construção geralmente simplória, com exemplifica a sequência de versos que formam o discurso enfadonho de Vai e volta (Ludmilla, Umberto Tavares e Jefferson Junior), faixa adornada com o toque dos teclados do arranjador Donatto.
Ludmilla canta no disco de estúdio as nove músicas inéditas apresentadas na gravação ao vivo do show ‘Hello mundo’
Celso Tavares / G1
Mesmo dentro do raso padrão de qualidade melódica e poética, o álbum Hello mundo soa menos previsível do que o redundante antecessor A danada sou eu.
Música gravada pela cantora com o baiano Léo Santana, Invocada (Ludmilla, Umberto Tavares e Jefferson Junior) esboça flerte do funk com a batida também coreografada da axé music dos anos 1990.
Ludmilla segura o tchan com Léo Santana. Assim como se harmoniza com o universo da dupla Simone & Simaria, convidada de Desce na maldade, sobe com autoridade (Rafinha RSQ, Nivardo Paz, Simaria e Ludmilla), faixa de beat bem acelerado.
Já a balada Tudo porque você mentiu (Ludmilla) desacelera o disco, escapando da padronizada moldura estética da produção musical da U.M. Music, empresa comandada por Mãozinha com Umberto Tavares e Jefferson Junior. Trata-se de balada de voz e piano, no caso o piano tocado pelo arranjador da faixa, Gilmar Moraes. O arranjo esboça certa dramaticidade para Ludmilla expiar dor de amor.
O chororô romântico continua no dueto feito com Jão em A boba fui eu (Umberto Tavares e Jefferson Junior), canção de acento R&B cujo canto do refrão expõe a potência vocal de Ludmilla.
Ludmilla canta com Anitta, Léo Santana, Ferrugem, Jão e Simone & Simaria no disco
Reprodução / Facebook Ludmilla
Contudo, a voz é somente um elemento – e nem sempre o mais importante… – no mundo dançante e hedonista no qual o som de Ludmilla é ambientado. É por isso que, em 700 por hora (Ludmilla), a funkeira se caracteriza como “bicho solto” na letra erotizada cantada sobre batida que mixa trap, funk e pop.
A altivez do discurso feminino é reiterada em Flash (Gleyce Degan, Donatto, Umberto Tavares e Jefferson Junior), música eleita para promover o álbum com clipe filmado sob direção de Giovanni Bianco.
Gravada por Ludmilla com Ferrugem, astro do pagode pop, Dê role (Umberto Tavares e Jefferson Junior) completa o museu de novidades fugazes que compõem o repertório do álbum Hello mundo na versão de estúdio. (Cotação: * * *)

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