Toquinho, Roberto Menescal e Eumir Deodato também figuram na ficha técnica do disco de 1968. No embalo do sucesso de grupos vocais como Os Cariocas (cuja carreira, iniciada nos anos 1940, ganhou vigor adicional com a adesão ao cancioneiro da Bossa Nova) e MPB4, outros similares grupos vocais foram formados na cidade do Rio de Janeiro (RJ) na década de 1960.
Foi nesse contexto que surgiu o Quarteto 004, integrado pelos cantores Eduardo Athayde, João Felipe, Luiz Carlos e Luiz Roberto. A primeira voz é a de Luiz Roberto, irmão de João Felipe, segunda voz do grupo.
Atuante na segunda metade da década de 1960, em associação com artistas projetados na plataforma dos festivais, o Quarteto 004 gravou compactos, participou de discos de nomes da então emergente MPB – como os futuros parceiros Chico Buarque e Edu Lobo – e legou um único álbum cuja arte da capa foi assinada por Millôr Fernandes (1923 – 2012).
É este disco, Retrato em branco e preto, que está sendo editado pela primeira vez em CD pelo selo Discobertas.
Lançado em 1968 pelo selo Ritmos / Codil, o álbum Retrato em branco e preto foi batizado com o nome da então recente primeira parceria de Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994) com Chico Buarque.
Jobim, aliás, participa de nada menos do que quatro das 12 faixas do álbum. Duas dessas quatro faixas – Canção do encontro (Luiz Bonfá e Maria Helena Toledo, 1965), regida pelo maestro, e a música-título Retrato em branco e preto (Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque, 1968) – também foram lançadas em compacto assinado por Jobim com o Quarteto 004.
Já soberano naquela época, o maestro ainda canta na gravação de Wave (Antonio Carlos Jobim, 1967) e figura com Toquinho no samba Bom tempo (Chico Buarque, 1968).
Capa do álbum ‘Retrato em branco e preto’, do Quarteto 004
Arte de Millôr Fernandes
Com nomes como Erlon Chaves (1933 – 1974) e Eumir Deodato, a estrelada ficha técnica do álbum Retrato em branco e preto inclui também Roberto Menescal, cujo violão é ouvido no samba Moça, parceria de Luiz Roberto com Vinicius de Moraes (1913 – 1980).
Turbinada com quatro faixas-bônus extraídas de compactos, a edição em CD do álbum Retrato em branco e preto traz, entre essas gravações adicionais, um registro do então novo samba Lapinha (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1968) que reúne o Quarteto 004 com o recorrente Antonio Carlos Jobim.
Ao longo das 16 faixas (as 12 oficiais e as quatro postas como bônus), o Quarteto 004 tenta emular a bossa d’Os Cariocas, mixada com a assinatura vocal do MPB4, nítida no passo da Dança da rosa (Chico Maranhão, 1968), música gravada pelo grupo com o toque da Traditional Jazz Band.
Identidade vocal à parte, vale a pena correr atrás de uma das 300 cópias da tiragem única da edição em CD do álbum Retrato em branco e preto, cuja contracapa original trouxe texto avalizador do soberano Jobim.

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