Despacho na encruzilhada
Arquivo pessoal/Yvonne Maggie
Foi notícia na coluna do Ancelmo Gois no jornal “O Globo” do dia 21 deste mês, e também no seu blog na mesma data, que a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Rio de Janeiro enviou o seguinte ofício, datado de 14 de março último, às universidades estaduais: “Venho por meio deste informar e determinar que toda e qualquer demanda enviada pela imprensa relacionada à referida vinculada (no caso às universidades estaduais) deverão obrigatoriamente, passar por esta Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, antes de serem apresentadas à imprensa, com o crivo de que a pasta comunique à população todas as informações em um único discurso.”
Então é assim, um governo eleito com um programa liberal decide informar a população com um único discurso? Que medo é esse? Que falta de coragem de enfrentar o contraditório! Que claro abuso de falta de inteligência! Isso nem é censura, é apenas medo do feitiço virar contra o feiticeiro, como diz o ditado.
Assim não dá, como dizia um de nossos ex-presidentes! Vamos então fechar as bibliotecas e queimar os livros e acabar com todo tipo de conhecimento. Acho que querem mesmo acabar com qualquer possibilidade de vida. Já estávamos cansados do politicamente correto, agora vamos estar cerceados pelo crivo dos nossos dirigentes.
Se a universidade é o lugar da pesquisa, do ensino e da inovação, aliás como diz o nome da secretaria que cuida das universidades estaduais – Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação –, como pode haver um único discurso? Quem dirige uma secretaria com esse nome deve querer a inovação, o debate, a divergência e deve ainda mais do que tudo lutar para que esse debate e esses discursos diversos sejam protegidos.
Não sei quem é o nosso secretário, mas já se vê que a pessoa não entende o significado de UNIVERSIDADE.
Saiba, senhor secretário, que “Quem não pode com macumba, não segura patuá” e para bom entendedor meia palavra basta. Quem abusa do poder e tem medo de falas divergentes deveria saber que é inútil calar a boca de quem pensa, de quem inova e cria tecnologia e o castigo de querer impor um único discurso virá a cavalo.

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